
Hoje o Dando um rolé vai postar uma matéria em especial para uma amiga que adora bike mas tem medo de andar nas ruas por causa da violência no trânsito.
Tatiana NG essa é para você!
Tatiana NG essa é para você!
Como se manter seguro ao pedalar nas ruas
Se você acha que essa coisa de bicicleta não é para
você, tudo bem. Mas se você se dispuser a experimentar ir pedalando, um dia que
seja, vai chegar no seu destino mais disposto e feliz. A endorfina liberada
pelo exercício físico vai te fazer ter um dia melhor no trabalho.
Só por não ter se estressado em esperar dentro do
carro (ou do ônibus) aquele sinal que abriu e fechou três vezes, você já vai
sentir uma diferença enorme. Vai queimar aquelas gordurinhas que insistem em
continuar ali, por mais que você reze para São Regime, vai melhorar sua
capacidade respiratória e correr menos risco de infarto.Vai economizar dinheiro
e provavelmente até chegará mais rápido.
Se você estiver cogitando a hipótese de usar a
bicicleta, ou se já a utiliza mas ainda não se sente seguro, o Vá de Bike tem
uma série de artigos para mostrar que usar a bicicleta nas ruas pode ser seguro
e agradável, mesmo nas grandes cidades (veja no box ao lado).
Nesta página há recomendações sobre como se portar
no trânsito. Eu sei que você já é crescido e sabe atravessar a rua, não é isso:
eu quero te ajudar a não correr riscos desnecessários e a desfazer a idéia de
que pedalar junto com os carros é coisa de maluco. É viável, sim, basta tomar
alguns cuidados.
Nem sempre lembradas como item de segurança, as
luzes da bicicleta têm papel essencial. Afinal, é muito mais importante evitar
uma situação de risco do que se preparar para sobreviver a ela.
Para poderem ter tempo de reação e desviar de você
com segurança, os motoristas precisam vê-lo. E, à noite, o ciclista se torna
ainda mais invisível. Os refletivos, que a lei obriga a
virem com as bicicletas, são de pouca ajuda. Use luz branca na
frente e vermelha atrás, para os motoristas saberem rapidamente se você está
indo ou vindo.
A luz deve ser sempre piscante, pois a intensidade
luminosa das lanternas de bicicleta não é suficiente para se destacar com
segurança quando acesas de modo ininterrupto. A luz piscante atrai muito mais a
atenção do motorista – e é esse o objetivo.
A condução segura da bicicleta tem um potencial de
protegê-lo muito maior que o simples uso do capacete, principalmente se você
não pretende fazer manobras arriscadas ou abusar da velocidade. Mas seu uso é
recomendável especialmente para quem está começando, pois você ainda não terá o
equilíbrio e a habilidade como fatores naturais, aumentando suas chances de
cair.
Claro que um capacete diminui a chance de
traumatismo craniano, assim como uma joelheira diminuiria a chance de machucar
os joelhos, mas tenha em mente que ele não lhe protegerá dos carros, apenas de
você mesmo. Pedale com atenção e cuidado, para não precisar colocá-lo à prova.
Não são imprescindíveis, mas convém usar, por dois
motivos. O primeiro é que a pele pode ficar irritada pelo apoio contínuo na
manopla; o outro é que, se você cair, tentará parar a queda com a mão,
esfolando toda a palma se estiver sem luvas. E no frio, as luvas fechadas
tornam-se importantes para suas mãos não enrijecerem com o vento gelado, o que
pode até atrapalhar na hora de frear.
Há várias razões para pedalar na mão correta e
todas elas visam sua segurança. São vários motivos, veja abaixo:
Um pedestre que vai atravessar a rua só olha para o
lado de onde os carros vêm. Um carro que vai entrar em uma rua, ou sair de uma
garagem ou vaga de estacionamento, também. Eles não esperam encontrar uma
bicicleta vindo na contramão. Um carro fazendo uma curva à direita também não
espera uma bicicleta na direção contrária, ainda mais no lado de dentro da
curva. Um motorista que estacionou e vai abrir a porta, olhará só no retrovisor
para ver se pode abri-la, sem ter motivos para olhar para a frente.
A velocidade em que você se aproxima de um carro é
muito maior se você estiver na contramão, por ser a soma das velocidades dos
dois veículos. Se você estiver a 20km/h e o carro a 40, você estará se
aproximando dele a uma velocidade relativa de 60km/h. O motorista terá bem
menos tempo para reagir à sua presença e desviar de você, além do fato de que
uma colisão nessa velocidade faz um bom estrago. Se nesse mesmo exemplo você
estiver no mesmo sentido do carro, a velocidade relativa entre ambos será de
apenas 20km/h: o motorista terá mais tempo para desviar e a chance de colisão
diminui muito. E, numa possível colisão, o estrago será menor.
Cuidado com as portas dos carros parados. Muitos
motoristas olham no retrovisor procurando o volume grande de um carro e acabam
não vendo a magrela chegando, principalmente à noite (outro ponto a favor da
iluminação piscante). Ou o motorista olha em um ângulo que faz a bicicleta
ficar em um ponto cego. E há também quem seja distraído mesmo! Tem até quem
abra a porta toda de uma vez, empurrando com o pé…
Por isso, fique a uma distância que seja suficiente
que uma porta abrinda não te derrube. Mantenha pelo menos um metro dos carros
parados, tentando imaginar até onde iria uma porta aberta. De preferência, ocupe a faixa
seguinte. Nem sempre é possível perceber uma pessoa dentro de um
carro parado, não se arrisque.
Ande sempre pela direita. Em alguns casos
pode ser melhor usar a esquerda quando a via é de mão única, mas são raras
exceções. Usar a faixa da direita é mais seguro, por ser a área destinada aos
veículos em menor velocidade.
Não se posicione muito no canto, senão os carros
tentarão passar na mesma faixa em que você está, mesmo não havendo espaço para
fazer isso em segurança. Você pode se desequilibrar e cair só com o susto, sem
falar no perigo de um esbarrão. O Código de Trânsito obriga
os motoristas a passarem a 1,5m de você, mas muitos motoristas não sabem disso
ou não entendem a importância e
o motivo do 1,5m).
Ande mais ou menos na linha de um terço da pista,
assim não fica tão antipático quanto ocupar a pista toda. Você terá espaço para
desviar de buracos sem ter que ir mais para a esquerda e os carros terão que
esperar até haver espaço suficiente para ultrapassar pela outra faixa. E, mesmo
que algum motorista apressado tente forçar passagem, você terá um respiro para
fugir para a direita sem ter que se jogar na calçada. Saiba por que
muitos ciclistas ocupam toda a faixa e entenda por que (e como)
fazê-lo com segurança.
Mas seja compreensivo com os motoristas: quando
você passar por um trecho de tamanho considerável onde não houver carros
parados, use a área de estacionamento para desafogar a fila de carros atrás de
você. Assim, aquele motorista que está aguardando há alguns minutos sem
conseguir te passar poderá ir embora antes de ficar nervoso. Apesar de você
estar no seu direito, muitos motoristas não vêem dessa forma e se irritam com
sua presença, esquecendo que a rua é de todos e não apenas dos carros. Mas tome
muito cuidado ao retornar à faixa de rolamento: sinalize, aguarde um momento
seguro e entre. Se for preciso, pare e espere todos os carros passarem antes de
voltar a ocupar a faixa.
Sinalize sempre

É muito importante que os motoristas possam prever
sua trajetória, por isso sempre sinalize o que pretende fazer, com sinais de
mão. Peça passagem, dê passagem, sinalize que o motorista pode passar quando
você decidir esperá-lo, avise quando você for precisar entrar na sua frente (e
espere para ver se ele vai parar mesmo).
Sinalize com a mão esquerda em 90º quando for virar
à esquerda e com a mão direita quando for virar à direita. Agiar ligeiramente a
mão torna o sinal mais visível. Quando for continuar em frente em um local onde
muitos carros viram à direita, sinalize com a mão em 45º, pedindo para
aguardar, como a Renata Falzoni faz nessa foto. E sempre veja se o motorista
vai mesmo te esperar!
Educação é uma via de
mão dupla
Motoristas são bem suscetíveis a abordagens
educadas. Quantas vezes já não vimos um motorista, que está se posicionando
para não deixar outro entrar na sua frente, ceder a vez quando o primeiro faz
um simples sinal com a mão? Pois esse sinalzinho de mão, acompanhado de um
sorriso e seguido de um sinal de agradecimento, faz milagres.
Um ciclista educado é melhor recebido nas ruas. É
importante também sempre agradecer quando alguém aguardar ou der passagem,
porque isso criará simpatia no motorista, ajudando a vê-lo como uma pessoa e
não como um entrave ao seu deslocamento, um atraso a mais em sua pressa.
Muitos motoristas que estiverem lhe vendo como “um
folgado ocupando a rua” vão pensar “pelo menos o cara é educado”. Já é alguma
coisa e pode ser a diferença entre uma situação de risco ou não. E esses
passarão a tratar melhor o próximo ciclista que virem. Ou seja, com boas
maneiras no trânsito você acaba ajudando a todos nós. Obrigado!
Vias expressas, ou avenidas com muito fluxo e pouco
espaço, só em último caso. Avenidas com várias pistas costumam ser viáveis, mas
é sempre bom optar por ruas que sigam em paralelo, principalmente quando você
estiver começando a se aventurar no trânsito.
Em horários de pico pode ficar mais difícil
trafegar nas avenidas. Há pouco espaço sobrando, obrigando o ciclista a usar o
corredor, e os motociclistas são impacientes. E quando o trânsito andar 100
metros, os motoristas tentarão recuperar todo o atraso nesses poucos segundos,
buzinando e acelerando atrás do ciclista como se fosse ele o responsável pelo
congestionamento.
A escolha da rota é um item importante de
segurança. Procure ruas menores, que os carros evitam por precisar parar a cada
esquina em razão de lombadas, valetas ou muitos semáforos. Não pense no trajeto
como se estivesse de carro: o que é ruim para os motoristas costuma ser bom
para os ciclistas. Se não souber que caminho fazer, procure ciclistas
experientes no uso das ruas ou a Bicicletada de sua cidade e peça algumas dicas, ou peça a
ajuda de um Bike Anjo.
Como regra, se você estiver com medo de pedalar em
certa avenida, melhor não fazê-lo, mesmo porque se você estiver muito inseguro
pode cometer algum erro bobo ou até perder o equilíbrio devido à tensão.
Avenidas onde o fluxo de carros segue a uma velocidade alta mesmo na pista da
direita são desaconselháveis, fuja de lugares assim. Ruas menores são mais
seguras e muito mais agradáveis, mesmo que com isso o percurso aumente um
pouco.
Se precisar passar pela calçada ou atravessar na
faixa de pedestres, o código de trânsito manda desmontar da bicicleta, como os
motociclistas (conscientes) fazem (art.68, §1º).
E essa lei não é apenas uma regra arbitrária feita por quem nunca andou de
bicicleta, há motivos suficientes para não usar a calçada.
Os pedestres que estão de costas para você podem
dar um passo para o lado sem te ver chegando. Um carro pode sair de dentro de
uma garagem de prédio e te acertar em cheio, ou aparecer na sua frente de um
modo que você não consiga desviar – e o errado (e ferido) vai ser você…
Idosos morrem de medo de bicicleta na calçada, por
terem um compreensível medo de se machucar, principalmente aqueles que estão em
uma idade em que um osso quebrado pode ser impossível de ser consertado. Se
você passar com a bicicleta na calçada perto deles, vão reclamar e com toda
razão. Comparativamente, é o mesmo que um caminhão vir na sua direção e desviar
na última hora: eles podem cair só com o susto de ver a bicicleta chegando.
Quer mais um bom motivo para não andar na calçada?
Uma criança pode aparecer correndo de dentro de alguma casa. Já pensou ter na
consciência o atropelamento de uma criança de três anos? Péssimo, né? Melhor
não correr esse risco.
Fique sempre na rua. Se precisar passar pela
calçada, desmonte e vire pedestre.
Não passe no sinal vermelho com a bike, pois pode
aparecer um carro em alta velocidade na transversal e você não conseguir fugir
a tempo. Ou pode aparecer um pedestre atravessando a rua correndo, olhando só
para o lado de onde ele espera vir o perigo.
Os motoristas se irritam ao ver ciclistas
desrespeitando a lei de trânsito e uma pessoa de má índole atrás do volante
pode resolver “puni-lo” mais adiante com uma fina ou fechada.
Dica: se quiser aproveitar o sinal aberto para os
pedestres, desmonte e atravesse caminhando!
Em corredores de ônibus, alguns motoristas não têm
a menor paciência com ciclistas, porque precisam sair da pista exclusiva para
ultapassá-los e os motoristas dos carros não deixam.
Nas faixas preferenciais, à direita da via e sem
separação física, em algumas cidades os motoristas de ônibus já se acostumaram
a encontrar ciclistas pelo caminho e sabem desviar com segurança, saindo da
faixa e retornando adiante. Mas, se na sua cidade ou bairro isso definitivamente
não é a regra, tente usar a segunda faixa (a primeira logo após a dos ônibus).
Mas o melhor mesmo é evitar avenidas onde há faixa ou corredor de ônibus na
direita.
Cuidado nas saídas à
direita

Antecipe o que os
motoristas farão
Sempre se adiante ao que os carros podem fazer.
Olhe para trás (ou no retrovisor) para ver se não está vem vindo algum maluco,
voando para entrar na rua que está cinco metros à sua frente. Veja se o
trânsito está parando em uma única faixa, o que faz os motoristas saírem
irritados dela sem prestar muita atenção a quem vem vindo. Fique atento ao
posicionamento e trajetória dos veículos ao seu redor, usando tanto a visão
quanto a audição. E evite sempre ultrapassar pela direita, alguém pode abrir
uma porta para descer do carro, ou virar sem aviso para entrar em um
estacionamento ou garagem.
Permita que os
motoristas antecipem suas ações
Não fique fazendo zigue-zague, não entre sem olhar
numa avenida e não mude de pista sem sinalizar, mesmo que o motorista mais
próximo esteja lá atrás. Do mesmo modo que ele pode calcular mal sua trajetória
e achar que vai dar tempo de passar na sua frente, você pode se enganar ao
achar que vai dar tempo de mudar de pista antes dele chegar. Sinalizando, o
motorista prevê o que você vai fazer e diminui a velocidade.
Veja, seja visto e comunique-se no trânsito.
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